A MAMÃE SÓ ESTÁ CANSADA...

23.2.16

Ontem era só segunda-feira, e já pela manhã me peguei muito stressada com o turbilhão de coisas que já havia feito e com a lista infindável de afazeres até o fim do dia. Ainda pela manhã meu filho me desobedeceu por duas vezes, o que resultou em um castigo, sem televisão e sem celular durante todo o dia. Meu nível de stress me fez gritar com ele e sacudi-lo forte pelo braço. Isso me deixou angustiada, eu sabia que o castigo era merecido mas também sabia que estava explodindo facilmente e que no final das contas sobrava para ele.
Fiquei triste, dei um time nos afazeres e acabei me deparando com esse texto no Facebook. Nossa! Veio como um conforto ao meu coração de mãe... e percebi que valeria muito a pena deixá-lo disponível aqui, para que outras mamãe achem consolo nele também.
A mamãe só está cansada...
"Finzinho da tarde, no ônibus, dois bancos à frente, uma menininha de cabelos cacheados sorri pra mim, muito meiga. Devia ter uns três anos de idade. Ao lado dela, sua mãe cochilava. Quando ela percebia que a mãe fechava os olhos, ela se levantava no banco.
Numa dessas, a mãe acordou. Deu um tapa na cabeça dela, falou num grito: "Fica quieta aí e senta!". Ela chorou um pouquinho, lágrimas escorreram. Meu coração apertou. Tive vontade de fazer algo, mas achei que era muita invasão da vida alheia e fiquei quieta. Dali a algum tempo, a mesma cena: a mãe dorme, a menina, entediada com o trânsito parado, aproveita pra levantar do banco um pouquinho, buscando as vozes de umas crianças que estavam na parte de trás do ônibus.
A mãe dessa vez a pegou pelos cabelos com força, deu um puxão que fez a menina cair pra trás, e, como se não bastasse, um "croque" na cabeça. Ao mesmo tempo, a voz dela saiu forte, com raiva. "FICA QUIETA AÍ, JÁ NÃO MANDEI!?".
A menina chorou forte. Enquanto chorava, as lágrimas escorriam e ela fazia um olhar muito, muito triste. Magoada, mesmo. Levantei na hora que a mãe falava "CALA A BOCA, SE VOCÊ NÃO PARAR DE CHORAR VAI APANHAR DE NOVO. QUE MENINA FEIA!". Quando eu vi já estava ao lado das duas. Abaixei e falei com a menina, que chorava muito. "Não chora não, tá? A mamãe só está cansada, ela quer dormir um pouco e descansar".
Olhei pra mãe, que pareceu envergonhada por eu estar interferindo, falou comigo com voz normal: "Ela fica levantando, tenho medo dela cair e se machucar". Respondi: "Eu sei, mas ela só estava olhando as crianças lá atrás.". Ela se dirigiu à menina, com a voz menos irritada. "Tá, agora pára de chorar, vai, já passou".
A menina soluçava, chorava alto. Eu falei com a mãe "Você tá cansada, né? Dá pra ver. Mas sabe, acho que ela só está meio cansada também, igual você". O olho da mãe encheu de água. "Acordei muito cedo hoje, trabalhei o dia inteiro, to morrendo de dor de cabeça, e agora ela não para quieta"... A menina berrava, lágrimas escorrendo... "Eu imagino.... Tem dias que é complicado mesmo... Mas eu acho que ela só está querendo a sua atenção", arrisquei. Pra minha surpresa, a mãe pegou a menina no colo e ofereceu o peito pra ela na mesma hora "Quer mamar, filha?".
Apesar do meu histórico de Mamífera, que amamentei até os 4 anos e pouco do meu filhote, me surpreendi pois não é comum ver crianças assim maiorzinhas mamando em público. A menina começou a mamar no peito e parou de chorar na hora.
Enquanto mamava fazia carinho no rosto e no cabelo da mãe que, claro, desabou chorando. Apertou os olhos, agora as lágrimas escorriam no rosto dela, que depois começou falar meio baixinho. "Desculpa, filha, desculpa a mamãe, filha, desculpa", ela falava, enquanto fazia carinho na cabeça da menina, bem no lugar onde ela tinha batido, e dava vários beijos na pequena, que mamava e olhava pra ela. Em uns 5 minutos a menina tinha dormido no peito, mas a mãe não parava de fazer carinho e beijá-la. Quase perdi meu ponto, na hora de levantar ainda olhei pras duas e a mãe me falou baixinho: "Obrigada...".
Texto de Aurea Gil do Blog Pac Mãe
Espero que esse texto tenha vindo em momento oportuno para você assim como veio para mim. Compartilhe e espalhe por aí. E parabéns a autora Aurea Gil pelo lindo texto!
Beijo especial em cada mamãe
Rafaela Laczynski. mãe do Antônio

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