Eu, 2016 e umas verdades dolorosas

5.1.16


     Ainda no ano do seu antecessor, o 2015, uma reviravolta tomou conta de mim, um mal estar emocional que logo deu lugar a um mal estar físico. Algo como um soco na boca do estômago seguido de naúseas e tonturas.
     Nessa tormenta, repetia inúmeras vezes para mim mesma: 2016 tem que ser diferente, 2016 tem que me trazer isso, isso e mais isso e listava tudo o que os outros anos já haviam me roubado, mas que 2016 teria que me trazer de qualquer jeito, era um ultimato para você, 2016.
     Mal sabia eu, que o ultimato era para mim. 
     E então depois do meu showzinho de pobre coitada e da minha lista de exigências. Você me sentou em uma cadeira, colocou o dedo na minha cara, e começou a esbravejar muitas verdades. 
     Verdades dolorosas.
     Me dizia, irritado, que eu não faria com você o que fiz com os outros anos, que você não levaria a culpa pela minha inércia, pela minha apatia, pelo meu desinteresse, que o meu espírito de bunda mole, só mais cinco minutinhos ou amanhã eu começo, não teriam lugar nos seus preciosos dias.
     Me via encolhendo cada vez mais naquela cadeira, sussurando um ‘chega’, estava tão difícil de suportar.
     Mas você insistia dizendo que a responsabilidade era minha, somente minha, que um 2016 brilhante não cairia do céu, que ou eu acordava, ou você, 2016, seria pior que os outros anos. Que o seu fim, seria o mesmo fim dos outros anos, frustantes e mal acabados. E que a culpa, seria minha!
     Passou um bom tempo ainda exaltado, por vezes chegava a me sacudir.
     Até que por fim, já mais calmo... sentou do meu lado... ainda com uma voz firme me disse: 
‘NADA É TÃO SEU, QUANTO SEUS SONHOS!
Lute por eles!
Lute de todo o seu coração!
Você é capaz!
Mas precisa suar e lutar.
Caso contrário, por favor, não me culpe.’
     E então pude respirar e finalmente encarar você, 2016.
     O mal estar logo se findou e deu lugar a esperança. Esperança e responsabilidade.
     A responsabilidade que outrora vinha como peso nos meus ombros, veio como um impulso, sólido e certeiro, me lançando encorajadamente para 2016.

Então se prepare 2016, que eu vou lhe usar!

Rafaela Laczynski

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